Hoje em dia é muito fácil um casal separar-se, sobretudo os que não oficializaram o casamento, mas também já esses. Contudo, ser mais fácil não quer dizer que seja igual. Ainda é um "trabalho" ter que se divorciar. Quando se está casado, o divórcio é algo que à partida salvaguarda os direitos dos dois intervenientes naquele processo. Uma separação, numa relação marital, dá menos garantias de que haja justiça na separação nomeadamente dos bens. Será que hoje quando nos juntamos a alguém, por via de viver maritalmente ou nos casarmos oficialmente, temos consciência de quais são as nossas intenções? E temos presente para onde aquele relacionamento nos leva?Sam Keen, autor do livro "Amar e Ser Amado", alerta-nos "O risco de assumir o compromisso de amar e cuidar de alguém - um amigo, um filho, uma amante ou uma companheira -, num futuro imprevisível, desperta em nós o velho medo de ficarmos presos num espaço demasiado pequeno para o nosso espírito. O compromisso implica uma decisão, a escolha de uma alternativa e a exclusão de todas as outras. Assumir um compromisso implica sacrifício pessoal, restrições voluntárias, a renúncia antecipada de possibilidade futuras."
Nova atitude perante os filhos separados
Acrescenta-se à facilidade burocrática com que hoje as pessoas se divorciam, a facilidade "familiar" com que as pessoas se separam. Hoje em dia, um dos elementos do casal chateia-se e pode voltar para casa dos pais sem qualquer esforço.
Provavelmente estes ainda mantêm o seu quarto com tudo - tal e qual como quando ele foi saindo aos poucos, sem se notar que ia embora. Esta também é uma das razões para que o casamento seja realizado como uma cerimónia pública - a mudança é mais concreta e clara, para todos.Celebração pública
Ao se celebrar um compromisso público, perante a sua comunidade, aquelas duas pessoas declararam a vontade de partilhar um projecto de vida, do qual cada elemento dessa comunidade também faz parte (se assim não fosse, não faria sentido estarem na cerimónia. Parece-me!). Pode-se ainda ver esta cerimónia como uma espécie de ritual de iniciação a uma nova etapa da vida e, portanto, uma declaração de amadurecimento, cortando com o estilo de vida (de solteiro) que se mantinha até então.
A Clareza vinda desta relação oficial
O casamento traz consigo também clareza. Clareza para as mães (uso a figura das mães pela importância indiscutível que têm, mas também é aplicável aos restantes membros da família), as quais muitas vezes referem-se aos seus filhos como solteiros, quando eles são casados (pois viver maritalmente é uma versão do casamento, apenas uma versão, claro!).
Clareza para os amigos e núcleos subjacentes, pois quantos de nós já se deparou com a dificuldade de encontrar a denominação certa para o namorado, companheiro, marido, pai da filha daquela amiga!?E clareza para os próprios cônjuges que muitos deles não se sentem claramente num casamento, pois nota-se que, quando se referem ao seu par, chamam mulher ou marido ao companheiro - quando o chamam, mas com pouca convicção (diria, quase a medo de estar errado).
Existem alguns consteladores que reconhecem a importância desta celebração. Dizem notar no seu trabalho com as Constelações Familiares, que o Casamento é saudável para a família, inclusive para os próprios filhos que nascem dentro de um enquadramento jurídico-legal mais claro, mas sobretudo porque nascem e crescem numa relação mais madura e esclarecida (e esclarecedora, talvez).
Fotos do FotoSearch.com.br
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