“A respiração é o ritmo fundamental da vida, em que se baseiam todos os outros ritmos.”
As Constelações são uma metodologia cuja essência é o trabalho com a Alma e o Espírito. Para que esse nos atinja com um efeito duradouro e profundo, quanto a mim, existe a necessidade de contacto com o nosso corpo interior.Eckhart Tolle, no seu livro “O
Poder do Agora – Um Guia para a Iluminação Espiritual”, dá-nos a dica: “Se você encontrar dificuldades de entrar em contacto com o seu corpo interior, é mais fácil, em primeiro lugar, concentrar a atenção no movimento da respiração.”
Assim, pode-se dizer que a Respiração é a primeira etapa para poder estabelecer ligação a esse corpo. E adianta “Tomar consciência da respiração, que já é uma meditação poderosa, irá, aos poucos, colocar você em contacto com o corpo.”
No livro “A Fonética”, escrito por Bertil Malmberg e traduzido por Oliveira Figueiredo, que a Edição Livros do Brasil, de Lisboa, publicou na Colecção Vida e Cultura, define-se Respiração da seguinte forma “O acto da respiração compreende duas fases: a inspiração e a expiração. Na inspiração as cavidades pulmonares ampliam-se à medida que a caixa torácica se alarga pela descida do diafragma e pela elevação das costelas. Este aumento do volume dos pulmões produz uma chamada de ar
exterior que entra quer pelas fossas nasais quer pela boca e passa pela laringe e pela traqueia. A expiração comporta uma subida do diafragma e um abaixamento das costelas, com a consequente expulsão de uma grande parte do ar contido nos pulmões. É este ar expirado que se utiliza para a fonação.
Em princípio, também é possível produzir sons durante a inspiração, mas trata-se de uma possibilidade que se emprega apenas excepcionalmente. Ouvem-se com frequência nas crianças. Às vezes também se produzem tais som ao soluçar.”
Tolle sugere ”Observe atentamente a respiração, como ela entra e sai do nosso corpo. Respire e sinta o abdómen inflar e contrair-se levemente, a cada inspiração e expiração. Se você tiver facilidade para visualizar, feche os olhos e veja-se no meio de luz, dentro de um mar de consciência. Então, respire dentro dessa luz. Sinta essa substância luminosa preenchendo todo o seu corpo e tornando-o luminoso. Então, aos poucos, concentre-se nessa sensação. Você agora está dentro do seu corpo. Não se fixe em nenhuma imagem visual.”
Eu tinha dificuldades em respirar. Inspirava e expirava pela boca, sem dar quase nenhuma tarefa ao nariz, neste processo. Estava sempre de boca aberta por essa razão. Já no final da adolescência, soube que tinha a cana do nariz desalinhada, não sendo visível exteriormente. E, por isso, existia a dificuldade de respirar pelo nariz.
Com o trabalho das Constelações, tomei mais consciência do efeito de uma boa respiração e dos sinais que ela expressa. Muitas vezes, quando algo se resolve dentro da Constelação, vemos os intervenientes a respirar fundo e até algumas pessoas que assistem. Para mim, é um sinal de alívio por se começar a encontrar a solução.
Celso Cunha e Luís F. Lindley Cintra escrevem na
“Nova Gramática do Português Contemporâneo”, das Edições João Sá da Costa (Lisboa) que “Quase todos os sons da nossa fala são produzidos na expiração. A inspiração normalmente funciona para nós como um instante de silêncio, um momento de pausa na elocução.” Eu diria que a inspiração, mais do que a expiração, funciona como conexão com a Alma, que se manifesta no silêncio. A expiração poderá ser a libertação de alguns pesos na nossa Alma, um deitar fora do que já não é preciso ou que é necessário exteriorizar.
É muito interessante que os autores indiquem que “...o beijo, (...) é uma bilabial inspiratória...”, ou seja, quando se beija, quando se está nesse contacto com o outro, inspira-se e quase não se expira e inspira, quer dizer, respira. É um momento de se estar suspenso.
Na “Nova Gramática do Português Contemporâneo” ainda se descreve o processo do ar “O ar expelido dos pulmões, por via dos brônquios, penetra na traqueia e chega à laringe, onde, ao atravessar a glote, costuma encontrar o primeiro obstáculo à sua passagem. (...) Ao sair da laringe, a corrente expiratória entra na cavidade faríngea, uma encruzilhada, que lhe oferece duas vias de acesso ao exterior: o canal bucal e o nasal.”
No capítulo “A Energia: o Combustível de Excelência” do livro
“O Poder Sem Limites” de Anthony Robbins, publicado pela Pergaminho, indica-se que a primeira chave para alcançar esse combustível (a energia) é o poder da respiração. Anthony partilha com o leitor a “...forma mais eficaz de respirar, por forma a limpar o seu sistema. Deve respirar desta forma: inspire uma unidade, sustenha quatro unidades, expire duas unidades. Se inspirou durante quatro segundos, deverá suster a respiração durante dezasseis e expirar durante oito. (...) Deve começar a respirar do fundo do abdómen, como se fosse um aspirador que se está a livrar de todas as toxinas do sistema sanguíneo.”
Este autor ainda aconselha “Três vezes por dia, pelo menos, pare e respire profundamente dez vezes, de acordo com o que foi descrito acima – uma unidade de inspiração, quatro unidades a suster, duas unidades de expiração. Por exemplo, começando no abdómen, respire profundamente pelo nariz enquanto conta até sete (ou adopta um número mais alto ou mais baixo, baseando-se na sua capacidade). Sustenha a respiração por um período de tempo quatro vezes superior ao de inspirar, ou seja, conte até vinte e oito. Depois, expire lentamente pela boca durante o dobro do tempo da inspiração, isto é, catorze. Nunca se deverá forçar.”
Deste modo, podemos compreender a importância de uma boa respiração. No trabalho das Constelações, onde os participantes estão ligados, com mais ou menos intensidade, a uma diversidade de emoções, é essencial respirar, de modo a que a energia flua e não se bloquei em nenhum ponto provocando ou cansaço, ou dor de cabeça, ou qualquer outro sintoma.
E como diz Deepak Chopra, “A respiração é o ritmo fundamental da vida, em que se baseiam todos os outros ritmos.”
Por Ana Filipa Silva











