Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

A Cura e a Consciência Espiritual*

As Constelações Familiares são dinâmicas. Quero com isto dizer, que elas não se formaram de uma maneira e a partir daí foram sempre aplicadas dessa forma. Elas evoluíram. E evoluíram no sentido do Espiritual, deixando nas suas origens a sua vertente mais psicanalítica, psicodramática e transaccional. Hoje, ouve-se falar de uma Consciência Espiritual patente neste método terapêutico.
Ao ler um pequeno texto de Joel Goldsmith, “O Segredo do Princípio de Cura”, dei-me conta da sua conectividade com a Consciência Espiritual referida acima. Basicamente, o que é dito nesse texto é que existe um “sonho deste mundo” que cria em nós ideias dicotómicas, como o bem e o mal, mas que essas são apenas ilusões, visto que na essência tudo provêm da mesma fonte, Deus. Lê-se quase no início:


“O erro nunca é uma pessoa, uma condição ou uma coisa. Por tanto, nunca leve até o seu pensamento, e nem queira tratar em pensamento, uma pessoa, condição ou coisa. Na verdade, o erro sempre aparece como uma pessoa ou condição e é isso que confunde os trabalhadores espirituais do mundo. Com cada aparência de erro, se instala no indivíduo uma rebelião, uma resistência ou uma batalha contra alguma pessoa, lugar, circunstancia ou condição, e assim, a luta está perdida. Ninguém na terra, nem grupo algum de pessoas é seu inimigo; nenhum pecado ou doença é seu opositor ou antagonista. Quanto mais você lutar contra uma pessoa, uma doença, um pecado ou uma condição, tanto mais você estará enredado naquilo que chamamos de "este mundo".”
Quem conhece as Constelações, sabe o quanto é verdade que ao dizermos a um filho para não ser como o seu pai, ele se tornará com ele ou tenderá a ser o protector do seu próprio pai. E também o inverso é visível, quando aceitamos que, por exemplo, somos tão loucas como as nossas mães, que fazemos exactamente aquilo que criticávamos, sentimos um tranquilidade inexplicável.
Neste texto de Goldsmith, deparamo-nos com um desmistificar de uma Crença Universal que dentro da Consciência Espiritual pode encontrar concordância. Nós cremos que nascemos de um pai e de uma mãe, ponto final. E como nascemos apenas por questões biológicas, também pela biologia, se encontra o final do ciclo de vida, a morte. Mas o autor esclarece,


“...ninguém morre. Se você for chamado alguma vez para auxiliar alguma pessoa que parece estar se aproximando da morte, trate da velha crença universal de uma vida separada de Deus, uma vida que teve um começo e consequentemente deve ter um fim.”


E um pouco mais à frente, acrescenta:


“Você já me ouviu declarar que quando sou solicitado para uma cura, nunca tomo em consideração, em minha consciência, nem a pessoa, nem a sua condição. E a razão é esta: a pessoa ou a sua condição é um engodo, o laço da armadilha para prender o praticante. Se você quer ajudar a alguém, pare de pensar na pessoa ou em sua condição e entenda que elas são apenas um retrato, uma imagem ou uma aparência do tecido da crença universal, deste sonho universal chamado sonho mortal, chamado de ilusão universal, chamado por muitos outros nomes.”
As Constelações Familiares são uma abordagem sistémica e fenomenológica de situações que ocorrem com uma pessoa. O olhar deste método é sempre sobre o conjunto, o sistema, e em particular a Constelação que as pessoas de uma família formam. E essa visão de todo, e não de partes isoladas, é uma forma de respeitar a presença do Espírito, pois esse é abrangente, não exclui. Joel Goldsmith aconselha mesmo:


“Sempre que for chamado para ajudar na solução de um problema, verifique que quase sempre haverá uma pessoa envolvida nele, mas, já que Deus é o único principio criativo, o filho de Deus não pode se envolver com problema algum; o problema será apenas a crença de uma existência sem Deus.”
Dentro do método que Bert Hellinger desenvolveu e vem praticando, verifica-se que tanto, por exemplo, o Agressor como o Agredido têm um lugar no sistema e que, ao nível da Consciência Espiritual, existe a ausência de Julgamento, sendo mesmo que, após a morte, ambos ficam juntos, sem qualquer litígio. Para a maioria de nós, é difícil aceitar que ambos têm direito a pertencer e que o papel de Agressor e de Agredido é apenas uma ilusão. No entanto, podemos presenciar nas Constelações muitas situações em que é evidente, por exemplo, que o Agressor foi também ele um Agredido, ou que o que traiu, também fora anteriormente traído, mesmo que aparentemente não ao mesmo nível. Goldsmith ilustra esta ideia, dizendo:


“Testemunhamos algumas condições externas ou pessoas más, porém se existe um Deus em tudo, não pode haver tal coisa como uma pessoa, lugar ou coisa má. A dificuldade é que, primeiro vemos a aparência e logo procuramos fazer alguma coisa a respeito da aparência, e assim fazendo, ficamos enredados, nos envolvemos e calmos na armadilha.”
Quando aceitamos o bem e o mal, continuamos nesta ilusão mundana. Sentir e viver com o princípio de que “o Espírito é a realidade subjacente a tudo” desfaz esse sonho e conecta-nos com a nossa Fonte, trazendo o equilíbrio até às nossas vidas.
Neste texto, o autor ainda se debruça sobretudo sobre dois princípios da vida Cristã que são essenciais para uma caminhada consciente neste mundo. E esclarece-nos:


“...para mim, amar o Senhor nosso Deus com todo o meu coração significa não amar indevidamente, e nunca odiar ou temer aquilo que está no âmbito dos reinos físico ou mental... depositar toda a fé no Invisível Infinito, como a realidade da vida que se manifesta externamente como efeito. Chegar a uma realização do profundo significado desta verdade, requer muito estudo. Não amando, odiando ou temendo o que aparece nos reinos físico ou mental, rompemos o sonho mesmérico de uma seidade ou um universo à parte de Deus.”


Portanto, um dos princípios essenciais é “Amar o Senhor nosso Deus com todo o coração”. O segundo é “Amar o próximo como a nós mesmos” e a propósito, o autor escreve:


“Amar o nosso próximo como a nós mesmos, significa realmente reconhecer que Deus é o verdadeiro ser de tudo que é manifesto, não importando a aparência mesmérica que está nos confrontando.”
Este Amor que Goldsmith fala remete-me de novo para a dificuldade humana de aceitar este olhar despegado de etiquetas e afins. Quando numa Constelação vem à luz que uma filha manteve relações sexuais com o seu pai, a primeira reacção humana será conectada ao mundo das aparências e, assim, de considerar imoral este acto. No entanto, mergulhando na dinâmica dessa Constelação podemos vir a perceber que esse foi um acto de “amor cego” por parte da filha aos seus pais, que deste modo, por exemplo, conseguiu ocupar o lugar de mulher de seu pai, e manter os seus pais juntos.
“Quando isto se torna claro para nós, não mais amaremos, odiaremos ou temeremos tais aparências. Não amaremos as pessoas de este mundo, mais do que as odiaremos ou temeremos, porém amaremos aquilo que constitui as pessoas: Deus, o Cristo, o Espírito e a Alma de todo ser individual na terra.”, assim vislumbra Joel Goldsmith.


Cada um de nós está ligado num todo maior e aceitar cada elemento é amar esse todo, e amando esse todo, amamos cada elemento. Na Consciência Espiritual ligadas às Constelações, nada fica de fora, nada é julgado. Quando honramos o destino de algo elemento da nossa família, ou quando nos despreocupamos em relação aos desenvolvimento dos nossos filhos, no fundo, quando aceitamos aquilo que é como é, estamos em conexão com esta Consciência e assim ganhamos um bem-estar que de outro modo é inexistente.
Quase em jeito de conclusão, Joel Goldsmith, diz-nos:


“Uma vez que você tenha percebido que existe uma Alma invisível, que é o ser real de todos, então você estará apto a olhar através das aparências, a olhar directamente através dos olhos, a verdadeira Alma que mora por trás da humana aparência.”
O Segredo do Princípio da Cura” é um texto que, como vimos, em muito se cruza e até ilustra o que é compreendido como Consciência Espiritual nas Constelações. Nem todos os facilitadores de Constelações, seguem esta linha de trabalho. No entanto, quem a quiser encontrar nos seus trabalhos, é apenas despir o seu olhar das aparências.



© Ana Filipa Oliveira – Junho de 2011




* tradução aproximada da expressão alemã: “das geistige Gewissen”

Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Trazer à Luz

No seu livro "Liebe und Schicksal" (Amor e Destino), Bert Hellinger explica o processo de iluminar o que precisa de ser visto, dizendo que as sensações que os representantes mostram permitem trazer à luz algo que estava escondido, ou que não tinha sido tomado de verdade, ou que ainda não "queimasse" na Alma. Ao vir à luz, actua. A Constelação Familiar tem efeito por trazer a realidade à luz. Assim que esteja sob a luz, a pessoa não precisa de fazer mais nada, pois a imagem que ali vê representada [numa colocação], por si só tem realmente efeito. Para tal, é importante que se deixe estar, sem nada dizer, sem nada perguntar. A Alma, ela mesma, trabalhará sobre isso.

(Mais sobre este tema, trazer à Luz, ver o post Iluminar (Eliminar) Fantasmas.)




Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

O lugar das Crianças dita o erro familiar

Quem erra? No que erra? Nós mesmos, na Ordem que damos às coisas. Quem nasceu primeiro, os pais ou os filhos? A quem se dá prioridade nos dias de hoje, ao que veio primeiro, ou ao que veio depois? A quem se dá o volante para conduzir a vida familiar, ao que está em idade de procriar e gerar mais vida, ou àquele que há pouco tempo foi trazido ao Mundo? A quem é que damos o leme para dirigir o nosso barco, o que traz o sustento para casa, ou aquele que ainda pouco produz?

Desde cedo que entregamos aos nossos filhos (ao bebé, à criança, ao adolescente e ao jovem) as rédeas do nosso Cavalo. Quando são bebés, logo cedo, muitas vezes são eles que ditam as rotinas, no lugar de ser os próprios pais, por exemplo quando ele chora, dá-se de imediato a mama, para atender as suas necessidades. Alguns dizem que é para não criar ansiedade e que essa é prejudicial nos bebés. Mas será mesmo assim? Depois quando são crianças e já sabem falar, vão connosco ao supermercado e dizem que querem isto ou aquilo, na maioria das vezes brinquedos, ou outras vezes comidas com marketing adequado aos mais pequenos. Com receio da birra, ou com a ideia de dar aos nossos filhos o que não tivemos, lá cedemos aos pedidos. Quando são adolescentes, argumentam com várias justificativas e muita chantagem emocional, que precisam incondicionalmente daquele telemóvel, PlayStation ou o quer que seja. E nós? Damos. Chegam à idade em que se começam a tornar adultos, mas ainda dependentes dos pais, e a necessidade muda para um carro, por exemplo. Como é que eles vão para a Universidade? Então, vamos a um stand e eles que escolham. (Os transportes públicos não permitem a flexibilidade necessária para um jovem ir para a Universidade e conseguir concluir todos os seus inúmeros afazeres diários!?)

Segundo Bert Hellinger, estas nossas atitudes são bastante prejudiciais para a harmonia familiar. O (re-)criador das Constelações Familiares diz no seu livro "Liebe und Schicksal" (Amor e Destino) que "...os anteriores [os que nasceram mais cedo] são os maiores e os posteriores [os que nasceram mais tarde] os mais pequenos. Ninguém que é mais pequeno, que então nasceu mais tarde, pode-se intrometer na questão dos anteriores [dos que nasceram mais cedo]."

Ora, sendo os pais os que nasceram primeiro, os que são os maiores, os que são os adultos responsáveis pelos menores, portanto os que nasceram depois... para a saúde da família, é fundamental que sejam também eles que tomem as rédeas, que peguem no volante, que segurem o leme, para conduzir a vida familiar. Mais, e as necessidades prioritárias a serem saciadas deve de ser do adulto e não da criança É duro o que vou escrever, mas é a pura realidade. Se na família a criança falecer, o adulto consegue procurar sustento e até procriar, ou seja, gerar nova vida. Mas se o adulto morrer, o mesmo não acontece com a criança Talvez por isso, em muitas casas tradicionais, e talvez mais rurais, quem é servido primeiro é o pai, depois a mãe e depois os filhos por ordem decrescente de idades.

Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Iluminar (Eliminar) Fantasmas

"Quando as nossas barreiras são lançadas à luz, quando vêm à luz e sob a luz ficam, podemos ver melhor." , esta é uma das frases do texto aqui anteriormente publicado, sob o título Dá-lhe Luz. Realmente, sair da Caverna e enfrentar os raios do Sol é, numa primeira fase, tão complicado como iluminar os nossos Fantasmas interiores.
Bert Hellinger, no seu livro "Liebe und Schicksal" (Amor e Destino), esclarece que este trazer à luz é fundamental para repor a Ordem no sistema familiar. Ver, reconhecer e ordenar, sob as leis do Amor, é um modo de sarar os nossos problemas. E é o modo que as Constelações Familiares propõem.
No post intitulado Nas famílias, o que faz adoecer!?, pode-se compreender um pouco acerca das dinâmicas que muitas vezes se encontram encerradas nas nossas Cavernas interiores e onde habitam os nossos Fantasmas. Por vezes, como é aí brevemente explicado, esses Fantasmas tentam falar connosco e sair da Caverna. As doenças são uma das formas da sua linguagem.
Mesmo que sem consciência disso, nós sabemos que assim é. Já fomos Crianças e aí demos, com mais facilidade, ouvidos ao que não fala por palavras. Crianças e Cães sabem tudo numa casa é outra das reflexões aqui partilhadas e que aborda o papel-chave das Crianças e dos Animais numa casa, provavelmente os elementos mais sensíveis e permeáveis do sistema que nela habita.
Para que possamos viver com mais qualidade é fundamental, então que estejamos atentos. Atenção! Está atento? é o título de outro post, mas que pode ser também uma pergunta a fazer-se ao longo do dia, pois "Viver no Presente (no Aqui e Agora) requer um exercício permanente de atenção".

Neste espaço, Universo Constelações, poderá encontrar mais material de reflexão e colocar dúvidas, fazer sugestões, dar a sua opinião É um local virtual aberto a todos. Um blog que pretende projectar o seu holofote nas Constelações, como modo de vivermos todos muito mais felizes. Até breve!

Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

Casamento: importante para a saúde da família

Hoje em dia é muito fácil um casal separar-se, sobretudo os que não oficializaram o casamento, mas também já esses. Contudo, ser mais fácil não quer dizer que seja igual. Ainda é um "trabalho" ter que se divorciar. Quando se está casado, o divórcio é algo que à partida salvaguarda os direitos dos dois intervenientes naquele processo. Uma separação, numa relação marital, dá menos garantias de que haja justiça na separação nomeadamente dos bens. Será que hoje quando nos juntamos a alguém, por via de viver maritalmente ou nos casarmos oficialmente, temos consciência de quais são as nossas intenções? E temos presente para onde aquele relacionamento nos leva?
Sam Keen, autor do livro "Amar e Ser Amado", alerta-nos "O risco de assumir o compromisso de amar e cuidar de alguém - um amigo, um filho, uma amante ou uma companheira -, num futuro imprevisível, desperta em nós o velho medo de ficarmos presos num espaço demasiado pequeno para o nosso espírito. O compromisso implica uma decisão, a escolha de uma alternativa e a exclusão de todas as outras. Assumir um compromisso implica sacrifício pessoal, restrições voluntárias, a renúncia antecipada de possibilidade futuras."

Nova atitude perante os filhos separados
Acrescenta-se à facilidade burocrática com que hoje as pessoas se divorciam, a facilidade "familiar" com que as pessoas se separam. Hoje em dia, um dos elementos do casal chateia-se e pode voltar para casa dos pais sem qualquer esforço. Provavelmente estes ainda mantêm o seu quarto com tudo - tal e qual como quando ele foi saindo aos poucos, sem se notar que ia embora. Esta também é uma das razões para que o casamento seja realizado como uma cerimónia pública - a mudança é mais concreta e clara, para todos.

Celebração pública
Ao se celebrar um compromisso público, perante a sua comunidade, aquelas duas pessoas declararam a vontade de partilhar um projecto de vida, do qual cada elemento dessa comunidade também faz parte (se assim não fosse, não faria sentido estarem na cerimónia. Parece-me!). Pode-se ainda ver esta cerimónia como uma espécie de ritual de iniciação a uma nova etapa da vida e, portanto, uma declaração de amadurecimento, cortando com o estilo de vida (de solteiro) que se mantinha até então.

A Clareza vinda desta relação oficial
O casamento traz consigo também clareza. Clareza para as mães (uso a figura das mães pela importância indiscutível que têm, mas também é aplicável aos restantes membros da família), as quais muitas vezes referem-se aos seus filhos como solteiros, quando eles são casados (pois viver maritalmente é uma versão do casamento, apenas uma versão, claro!).
Clareza para os amigos e núcleos subjacentes, pois quantos de nós já se deparou com a dificuldade de encontrar a denominação certa para o namorado, companheiro, marido, pai da filha daquela amiga!?
E clareza para os próprios cônjuges que muitos deles não se sentem claramente num casamento, pois nota-se que, quando se referem ao seu par, chamam mulher ou marido ao companheiro - quando o chamam, mas com pouca convicção (diria, quase a medo de estar errado).

Existem alguns consteladores que reconhecem a importância desta celebração. Dizem notar no seu trabalho com as Constelações Familiares, que o Casamento é saudável para a família, inclusive para os próprios filhos que nascem dentro de um enquadramento jurídico-legal mais claro, mas sobretudo porque nascem e crescem numa relação mais madura e esclarecida (e esclarecedora, talvez).

Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

A Omnipotência dos pais actualmente

Os pais actualmente mostram, em alguns casos, acreditar na sua Omnipotência. Apesar disso, o poder absoluto e supremo dos pais na educação e desenvolvimento do seu filho é fictício. Todo o Ser Humano está inserido em vários sistemas, sendo o primeiro a sua família. E a família é o resultado de todos os membros da mesma, não única e exclusivamente os pais.
Num dos post blog Coisas Banais, escrevi a propósito da complementaridade ou prolongamento que é a família actual, a que normalmente vive junta na mesma casa, em relação à de origem, a que nos "fez" crescer. Pensar que ao constituirmos uma nova família estamos a cortar laços com a de nascença, parece-me prejudicial para todos os membros. E acredito que, na verdade, a maior parte das pessoas não o pretenda fazer.
Assim, quando os nossos filhos visitam os avós, ou são visitados por eles, cria-se nalgumas ocasiões conflitos. Às vezes, os avós permitem coisas que os pais proíbem. E muitos pais reagem mal a esta "relação de vontades", pois vêem a sua autoridade, enquanto pais, colocada em causa.
Existem ainda pais, que na sua ausência, deixam uma lista de comportamentos que os cuidadores do filho têm de seguir, nomeadamente os avós. E se eles seguirem essas regras, a presença dos pais parece suprema e absoluta. E isso será útil para os nossos filhos?
Jan-Uwe Rogge
, um escritor alemão de bestsellers sobre a educação, avança que ainda bem que os avós actualmente são anarquistas o suficiente para manter uma relação com os seus netos fora da sensação de omnipotência dos pais. E isso torna-se útil para a aprendizagem, por parte da criança, dos múltiplos estilos de educação.
Claro que afastarmo-nos da tendência de querer controlar tudo, inclusive o comportamento dos nossos pais perante os nossos filhos, é desgastante para todos os membros da família. E tudo deve ser inserido num contexto com as suas próprias regras, as quais devem ser acordadas previamente, com negociação de todas as partes. Delegar a educação dos nossos filhos nos nossos pais também é um passo prejudicial para a sua educação e desenvolvimento.
Uma sugestão muito válida, quanto a mim, é confiar que o sistema familiar em que os nossos filhos crescem é o melhor para ele. Desejar, sonhar, com outro sistema é negar este, ao qual se pertence. Viver nele com regras é importante, mas essas deve ser flexíveis e negociadas, para que haja respeito por todos e alguma coerência na educação das gerações que nos seguem. Para tal o contributo das Constelações Familiares tem tido excelentes resultados.


Fotos de Ute Farr publicada em Xarto.com

Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

Nas famílias, o que faz adoecer!?

Uma doença ou um sintoma são sinais do corpo para que o seu portador possa olhar para alguma situação que precisa de ser vista. A energia pode fluir ou ser bloqueada, quando existe obstáculos. A energia estagnada é prejudicial. Ela fica localizada, neste caso, numa parte do corpo que depois adoece, de forma visível.
Normalmente, recorremos à medicina tradicional para nos tratarmos, o que requer o uso de medicamentos que acabam com os sintomas e com o que é visível, mas o que foi a causa, muitas vezes fica por desvendar. E assim a energia procura outro modo, para se fazer ver. Com certeza que já viu uma família cuja a doença passou de geração em geração. Não precisa de ser uma doença tão assombrosa como o cancro. Veja-se uma família cuja a mãe é obesa e a filha também.
Bert Hellinger desenvolveu as Constelações Familiares actuais, tendo por base vários ramos da psicologia, bem como práticas terapêuticas e caminhos psicoterapêuticos, mas sobretudo por muita observação. Esta versão do conhecimento sistémico tem por base a fenomenologia, isto é, baseia-se na observação de acontecimentos que ocorrem sem uma causa aparente, com explicação científica ou racional.
Os fenómenos que sucedem no seio da família podem fazer adoecer alguns dos seus elementos. Este psicoterapeuta alemão identificou três dinâmicas que se encontram na raiz desse sinal (que é a doença):
"- a Tendência: "Eu sigo-te a ti na morte ou na doença ou no destino."
- a outra é: "Antes morrer eu do que tu." ou "Antes ir eu do que tu."
- e a terceira: Pecados pela culpa pessoal".
O que isto quer dizer? Significa que por lealdade a algum elemento da nossa família (vivo ou morto), podemos desenvolver sintomas e doenças que queiram mostrar a identificação que temos com esse elemento e que nos permitam desvendar a dinâmica. A dinâmica é a leitura da nossa relação com esse elemento. Por exemplo, um adolescente perde o seu pai. Aparentemente lida bem com esse assunto, no entanto se olharmos para certos aspectos, como seguir um estilo de vida no limiar do perigo de vida, podemo-nos aperceber que ele está a dizer com tais atitudes, e por lealdade ao pai, "eu sigo-te na morte".
Existem hoje vários psicoterapeutas de Constelações que se dedicam a observar a relação das doenças com as dinâmicas na família. Caso esteja interessado a saber mais de Constelações Familiares, na barra lateral direita, existe uma secção com sugestão de leituras.




Até à próxima sexta-feira!






Fotos do Xarto.com

Sexta-feira, 6 de Agosto de 2010

Crianças e Cães sabem tudo numa casa

Este é um sub-título do livro "Ai, Meus Antepassados", de Anne Ancelin Schützenberger, onde a autora narra um momento revelador no seu primeiro diálogo com Françoise Dolto. Após uma pergunta que este lhe colocou e à qual a autora respondeu que não sabia, ele sublinhou "As crianças e os cães sabem tudo numa família, sempre, e especialmente o que não é dito." Schützenberger evidencia que "Esta observação de Françoise Dolto foi uma primeira introdução ao trabalho transgeracional e às transferências familiares inconsciente e involuntárias."
Bert Hellinger no seu livro "Felicidade Duradoura"* esclarece num capítulo dedicado a "Ajudar crianças difíceis", " Um criança sabe instintivamente, o que precisa de fazer, para pertencer à Família.(...) Uma boa consciência significa também: Eu sinto, que eu tenho o direito de pertencer aqui.(...) Uma má consciência significa também: Eu tenho medo que eu tenha perdido o meu direito de aqui pertencer."
Neste capítulo, o autor ainda esclarece os vários campos de consciência e como as crianças acedem a informações dos seus antepassados, mesmo que nenhum dos adultos lhe tenha falado sobre o assunto. Rupert Sheldrake foi uma alavanca no desenvolvimento do conceito de Ressonância, abordado neste domínio. o sistema familiar que se forma com todos os elementos da família cria um campo no qual circula energia, pois forma um corpo específico. Desse modo os dados percorrem o sistema estando disponíveis para os seus elementos os "lerem".
Hellinger sublinha, "No trabalho com as crianças, o difícil é não olhar para a criança, mas em especial para o quê a criança está a olhar." No fundo, por Amor, a criança está a servir o sistema criado. Ele capta uma informação e expressa pelo seu comportamento, que pode ir desde ser uma criança com comportamentos agressivos até a ser uma criança doente.
Como a criança ainda é um Ser onde o Ego tem um papel menor do que no adulto, na qual a razão ainda não impera, mas sim os instintos, os sentimentos, as emoções... acaba por ser mais permeável à captação destes dados (que circulam no sistema) do que o adulto. Assim, se justifica a frase "As crianças e os cães sabem tudo numa casa." [Sobre os cães... escrever-se-à outro texto. Até lá!]






* livro ainda sem tradução em português

Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Atenção! Está atento?

Quando fala com os outros, quando cria diálogos internos, quando olha à sua volta... está atento? Ouve-se a si? Ouve os outros? Está concentrado na interacção que cria com o meio à sua volta, com as pessoas que o rodeiam? Ou apenas quer despejar palavras e gestos quando conversa com os demais?
Viver no Presente (no Aqui e Agora) requer um exercício permanente de atenção. Quando estamos com os outros, a nossa ansiedade (às vezes sem causa aparente) atropela o momento e deixamos de poder desfrutá-lo. Estar atento auxilia-nos neste processo de estar mais presente e desfrutar dos momentos diários que se abrem como oportunidades de felicidade para nós.
Também quando um terapeuta ouve a história de vida de um cliente precisa de estar concentrado, pois ele não ouve apenas as palavras que são ditas, mas também está atento à comunicação não-verbal. Para este trabalho é essencial nomeadamente saber mais acerca de expressão corporal; interacção ou impressão cinestésica. Dentro da expressão não-verbal, a observação recai sobre a mímica, os gestos, a harmonia e a coerência dos movimentos e até o uso do espaço. Muitos foram os autores que contribuíram para esclarecer estes aspectos e outros, entre eles: J. L. Moreno, Jim Enneis ou Gregory Bateson.
Às vezes, ficamos espantados e perguntamos ao nosso interlocutor "Como é que sabes isso?" e, muitas vezes, nas Constelações, ficamos admirados com o conhecimento do constelador ou dos representantes acerca de um dado acontecimento "Como é que ele sabia isso? Eu não contei nada a propósito." Não é preciso ser adivinho, médium como alguns suspeitam, para saber mais do que é dito por palavras. Basta estar atento ao que o corpo e o espaço dizem, sem querer fazer teses ou descobrir a pólvora, apenas observando, estando presente e atento.


Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

Qual é a sua Intenção?

Comecei a passada reflexão com a frase "Fazer isto ou aquilo porque sim, tira-nos força e felicidade." e retoma-a hoje para ilustrar a importância de colocar intenção no que fazemos. Esclarecer antecipadamente porque vamos ou queremos fazer isto ou aquilo, permite-nos resultados mais positivos.
"Quem vai realizar uma constelação, precisa de um tema ou um problema, chamada preocupação como ponto de partida.", avança Bertold Ulsamer no seu livro "Sem Raízes, Nenhum Voo" (ainda sem tradução portuguesa). É assim nas Constelações, como noutras áreas de práticas terapêuticas ou energético-espirituais, com as quais podemos aprender a clarear a nossa intenção ou pergunta.
Markus Schirner, com mais de vinte anos de trabalho, escreve no seu Pêndulo-Set editado pela Schirner Verlag (e sem versão portuguesa), que "A intenção da sua pergunta é obter - com uma palavra - a resposta correcta.", para tal: "Lembre-se, quanto mais específica a questão, mais específica a resposta."
Quando nos preparamos para participar numa sessão individual ou em grupo de Constelações devemos fazer um exercício prévio de resumir a nossa intenção. Existem consteladores que falam de tema, outros de pergunta, outros de problema... mas parece-me que todos procuram com o cliente esclarecer a que ponto se pretende chegar com o trabalho que se vai fazer.
O mesmo acontece com as conhecidas Viagens Xamânicas. No seu livro "A Viagem Xamânica", Sandra Ingerman diz que "O melhor é viajar quando tiver uma pergunta concreta ou precisar de ajuda." e ainda acrescenta que "Quanto mais experiência tiver, mais fácil será colocar mais do que uma questão." E esclarece quais são as melhores perguntas "As melhores perguntas começam com as palavras "quem", "o quê","onde" e "como". Ao começar a viajar pelas primeiras vezes, deverá colocar apenas uma pergunta por viagem. Certifique-se que na sua pergunta, não aparece "e" ou "ou", o que faz duas perguntas."
Colocar questões relativas ao futuro, ou a um tempo exacto, ou ainda perguntas cuja resposta seja de "sim "ou "não" é desfavorável ao trabalho. Sublinhe-se que as perguntas, ou a intenção, deve ser sempre sobre a perspectiva de um trabalho acerca da própria pessoa e nunca sobre a vida de outros.
No livro da alemã Susanne Marx, intitulado "Xamanismo Prático" (ainda não traduzido para português), esta autora dedica duas páginas à questão da intenção e da colocação de perguntas. E começa por dizer que "Importante para uma jornada xamânica eficaz é uma clara intenção. Torne-se ciente antes de cada viagem acerca do que deseja vivenciar ou experienciar ou qual a pergunta que tem. Viajar sem intenção ou preocupações é por experiência superficial e principalmente insatisfatório ."

Portanto, fazer isto ou aquilo com intenção, dá-nos força e felicidade. Votos de uma boa Caminhada!


*****
A primeira foto pertence a Joel e está publicada no Olhares.com. As duas últimas fotografias foram retiradas da internet, por via de uma pesquisa no Google.

Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

Importante vs. Urgente

Na organização das minhas tarefas, tenho um lema: "O mais importante é urgente, o urgente não é importante". Isso significa que devemos encontrar as acções alavanca e chave, pois o que é urgente agora, daqui a um determinado tempo deixa de ser. E o que é importante é sempre importante.
Fazer isto ou aquilo porque sim, tira-nos forca e felicidade. É preciso ir mais fundo e perceber mais. E tal é aplicável às tarefas do dia-a-dia, como ao nosso desenvolvimento pessoal e autoconhecimento.
Recordam-se com certeza do livro "O Segredo" e do êxito que ainda tem. Quanto a mim, trata-se apenas de um livro de leitura fácil. Ter tudo por atracção é magia. Sim, ela pode acontecer. Mas do que nos serve a magia, se hoje quero uma coisa, amanhã outra e depois de amanhã ainda outra!? Neste caso, é uma magia de fazer aparecer as coisas sem prestar atenção ao que realmente é importante: a consciência do que somos e do que queremos ser, com respeito e um olhar sobre o que fomos.
Se estou aflita, porque tenho muitas dívidas de créditos contraídas, não me parece que deva andar feliz e contente a dizer inúmeras vezes para mim mesma, e fazer transparecer aos outros, que estou óptima. Parece-me, sim, que é o momento para parar perante o sinal STOP e reflectir. Isto, atenção, também não quer dizer que tenha de andar chorosa e cabisbaixa. Apenas significa, que é o momento para enfrentar a realidade com maior consciência, invés de a maquilhar com frases que servem de tampão para aquilo que precisa de ser realmente tratado.
Dentro do processo da colocação de uma tema numa terapia de grupo de Constelações Familiares, também existem frases-chave, mas essas apenas são um contributo para a solução. A transformação é feita através do processo de ver o que se passa, como é que se passa e como poderá vir a passar, após encontrar-se a solução, o movimento-chave.
Portanto, se eu tenho um problema urgente não me adianta as afirmações, é preciso ter um olhar mais abrangente e profundo. O importante é perceber o que está na raiz desse problema e transformar o que "está doente" em um elemento saudável.

Fotos retiradas da internet por pesquisa no Google.com

Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

Sem Emprego? Olha para a tua mãe!

Claro que nem tudo é tão mecânico e directo. E que cada caso é um caso. Mas quem nos dá o alimento e tudo o que necessitamos para crescer? A Mãe. E como ela faz isso de uma forma tão única nos nossos primeiros 9 meses de desenvolvimento, no útero!? Quem cuida de nós nos primeiros meses de vida quase em exclusivo? A Mãe. Quem nos dá as raízes para podermos crescer, criar tronco e ramos, folhas e frutos!? A Mãe. É ela que cuida do nosso sucesso.
Bert Hellinger escreveu no seu livro "Felicidade duradoura"*, "
Sem mãe, nenhum trabalho. Quem se afasta da mãe, afasta-se do trabalho - e o trabalho dele. " e sugere um exercício a um cliente que apresenta este tema "Escreve uma carta para ela. Então aí percorre a tua infância, a partir do teu nascimento, e olha para tudo o que ela fez por ti, o tempo todo. Escreves tudo isso a ela e tomas tudo no teu coração. Tudo o que ela te deu, tomas no teu coração." e a finalizar o exercício, indica "Então escreves algo para a sua conclusão: Sempre que precisares de mim, eu estou aqui para ti. "
A rematar Bert Hellinger sublinha "Mães fazem felicidade, sem qualquer dúvida.
" Neste caso, o criador desta abordagem sistémica e fenomenológica evidencia que o trabalho e o sucesso estão ligados à integração da mãe em nós mesmos.

Foto: Olhares.com/Lula Marques


Podemos não compreender como funciona, como tudo está ligado, mas a experiência, pelos seus resultados, pode-nos dar a felicidade de conhecer um método que muito nos fará evoluir. Para tal, pode sempre sentir como funciona, participando num dos vários workshops de Constelações Familiares.

* livro ainda a traduzir, em alemão intitula-se "Glück, das beilbt - Wie Beziehungen gelingen" - Kreuz.

Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

Dá-lhe Luz

Quantos problemas temos que são parecidos? Quantas vezes se repete as mesmas cenas nas nossas vidas? Como é que isso acontece? Porque é que isso acontece?
São sinais da Vida a chamar a atenção para algo que precisa de ser visto. Quando não visto, repete-se incessantemente de várias formas e feitios para que a pessoa possa tomar, em algum ponto do processo, contacto mais profundo com a raiz do problema.
Muitas vezes, estamos distraídos e não damos conta disso mesmo. Outras vezes, pensamos de mais, analisamos racionalmente e não avançamos muito. Na verdade, a coisa mais importante nas nossas dificuldades é dar-lhes Luz. Como? O que quer isso dizer?
Quando queremos trazer à luz a forças da origem do nosso obstáculo, então estamos a dar um primeiro (e importante) passo para que as possamos transformar em aliados numa Vida mais feliz. Quando as nossas barreiras são lançadas à luz, quando vêm à luz e sob a luz ficam, podemos ver melhor. Olhar para a realidade, tal como nos aparece, é realmente um avanço no processo de transformação. Claro que não é a transformação em si, mas um movimento imensamente relevante para tal acontecer.
Quer iluminar o escuro que está à volta da raiz (ou raízes) do seu problema? As Constelações Familiares são um excelente método para aprofundarmos o conhecimento e consciência em relação a essas dificuldades que não se dissipam e que se repetem, incomodando-nos e tornando a Vida mais pesada. Através das Constelações Familiares não só damos o passado para a Luz como para a Cura.

Sabe então agora que pode ser Feliz, certo?

Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Sentados à Mesa


Direita e esquerda são diferentes. Experimente sentir-se na esquerda de alguém e depois experimente a direita. Acredite que conectando-se com o lugar, achará diferenças.
Nas Constelações Familiares existem Ordens. A Ordem é um conceito e uma atitude amiga do Amor. Qual a ordem na sua casa? Por exemplo, pense, por breves instantes, como se sentam à mesa, ou em que lugar da cama estão deitados. Quando vão na rua, quem vai em que lugar?
Gabriele e Bertold Ulsamer, um casal de psicoterapeutas alemães dedicados às Constelações Familiares, escreveu no seu livro "As Regras do Jogo da Vida em Família":
"Mesmo a disposição dos lugares na mesa pode contribuir para o relaxamento numa família. Muitas vezes, os pais e as crianças sentam-se numa "bagunça desregrada". É melhor experimentar uma vez diferentes lugares à mesa, para saber o efeito da mudança. Os factores importantes são que os pais sentam-se juntos como um casal e, em seguida, no sentido horário as crianças com a idade a decrescer. Os participantes dos seminários que experimentaram relatam melhorias surpreendentes."

Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Chamar os bois pelos nomes


As Constelações Familiares são um método de ajuda à Vida e aplicável no dia-a-dia. Para tal é preciso que estejamos atentos às nossas atitudes e ao que se passa ao nosso redor. Oportunidades para as colocar em prática não faltará.
Com certeza já ouviram homens a chamar as suas mulheres de filhas, ou mulheres entre si utilizar o mesmo termo. Quem não notou nalgumas famílias que se tratam pelo nome e não pelo parentesco? Quantos de nós já reparámos que existem, por exemplo, mulheres que chamam os seus maridos de pai!?
E qual é a sua forma de se dirigir aos seus familiares? Chama-os pelo nome ou pelo parentesco? Este é um bom momento para pensar - por segundos - como se tratam na sua família. E os seus filhos (se os tem) como chamam por si?
Chamar pelo nome normalmente faz-se quando essa pessoa não tem parentesco ou relação profunda connosco. Chamar pelo nome mantém um certo distanciamento. Um filho que chama a mãe pelo seu nome ou vice-versa está a mostrar e a trabalhar no "distanciamento".
Cada elemento da família deve estar identificado com o seu lugar na família. Chamar o seu filho pelo parentesco, ou outro dos seus entes, está a lembrar a sua relação, a reforçar a permanência de cada um no seu respectivo lugar. Chamar o filho pelo nome ou a um dos pais está a colocá-los ao mesmo nível e isso não corresponde à verdade. "A Igualdade nem sempre é justa.", assim diz Gabriele e Bertold Ulsamer, autores do livro "Regras do Jogo da Vida em Família - Ordens do Amor entre Pais e Filhos".